Névoa cerebral... ela ainda está aqui...
Sabe aquela coisinha que não larga do seu pé? Pois é... vou falar dela hoje... de novo, kkk.
Essa coisinha, no caso, é a tal "névoa cerebral" ou "chemobrain", um efeito colateral bem comum da quimioterapia, que pode se manifestar durante o tratamento ou no período pós-câncer. É um conjunto de sintomas de alterações cognitivas.
Mencionei que vou falar de novo dela, porque eu escrevi um post no dia 25 de maio 2023, quando contei algumas situações que aconteceram comigo e com a Faby. (se você não leu, vale a pena conferir...lá eu conto uma situação bem engraçada...kkk. É só clicar aqui no link 👉 https://oncotoblog.blogspot.com/2023/05/a-tal-confusao-mental.html
Continuando...
O efeito do chemobrain é cognitivo e afeta a nossa percepção das coisas, deixando nosso raciocínio mais lento ou, intensificando nossas reações a situações do dia a dia.
Quer ver alguns exemplos de como isso ocorre?
Falta de concentração, irritabilidade com barulho, alteração de memória (dificuldade para lembrar das coisas, dificuldade para ler um livro), lentidão no raciocínio ou dificuldade para encontrar palavras durante uma conversa, entre outros. Esses sintomas são variáveis para cada paciente e impactam diretamente na qualidade de vida.
No meu caso, percebi já durante o período de tratamento. Comprei um livro pra ler durante as sessões de quimio mas, desisti após algumas tentativas frustradas de passar da primeira página sem precisar voltar ao início pra ler tudo de novo. Além disso, eu ficava irritada e cansada quando estava em lugar com muitas pessoas falando ao mesmo tempo.
E os sintomas continuaram após o final do tratamento... quando eu deveria voltar a trabalhar... Notei que eu tinha uma dificuldade muito grande de formar frases inteiras, dificuldade em nomear as coisas, eu estava sempre "buscando" uma palavra... minhas frases eram sempre pausadas pra tentar lembrar a palavra certa que deveria ser usada e, muitas vezes, essa palavra não vinha...
Outro sintoma foi a memória. às vezes não lembrava de situações que tinham acontecido naquele mesmo dia, por exemplo, o que eu tinha feito no almoço... Como eu sempre amei ler, resolvi pegar de volta aquele livro que eu tinha tentado ler nas sessões de quimio... mais uma frustração.. eu ainda não conseguia prestar atenção na leitura... chegava ao final da página e não lembrava o que tinha acabado de ler... tinha que voltar ao início... aí, depois de algumas tentativas, desisti de ler... de novo...
Meu raciocínio interpretativo estava beeem lento. Eu demorava um tempo pra compreender situações ou, até mesmo instruções simples, como foi o caso da renovação da minha carteira de motorista... aqueles simples passos de protocolo foram apavorantes... achei que não ia conseguir. Resumindo bem, me sentia "burra".
Tudo que eu precisava fazer demorava muito. Eu precisava de um tempo muito maior pra realizar tarefas que antes eram básicas e rápidas.
Foi aí que entrei em pânico. Como eu ia conseguir voltar ao trabalho se eu era professora de ensino superior? Eu precisava estar muito atualizada sobre os temas que eu lecionava (no caso, marketing e comércio internacional), precisava produzir material para os alunos, precisava explicar situações e conteúdos...não me sentia capaz...
Mas, voltando ao chemobrain...
Esses efeitos se manifestam de maneira e intensidade diferentes em cada pessoa. Algumas pessoas têm efeitos leves, quase imperceptíveis, e isso não chega a afetar as atividades diárias. Outras pessoas sentem os efeitos por um curto período de tempo e, após uma pausa, conseguem retomar as atividades. Já para outras pessoas, esses efeitos podem ser mais longos, podendo se prolongar por anos após o tratamento, principalmente no caso de pacientes que, após o fim da quimio e rádio, precisam manter um tratamento de manutenção ou tratamentos bloqueadores de hormônios, como é o meu caso, que faço hormonioterapia desde o final do tratamento de quimio.
Pra mim, a névoa cerebral ainda está aqui...
No meu caso, tenho períodos de intensidade maior dos sintomas. Percebo que, em alguns dias, estou mais lenta pra executar atividades básicas em casa... fico o dia inteiro tentando resolver as tarefas que anotei para fazer no dia e, quando chega o final da tarde, percebo que não consegui executar.
Na semana passada, por exemplo, fui levar uma camiseta para gravar o logo do Oncotô. Demorei pra entender as diferentes possibilidades de gravação no tecido mesmo com as repetidas explicações do atendente. Ao mesmo tempo que tentava decidir qual tipo de gravação fazer, eu não conseguia explicar como eu queria que as informações ficassem dispostas na camiseta (isso porque a Faby já tinha me enviado os arquivos prontos, era só dizer qual arquivo iria em cada parte da camiseta)... aff.. saí da loja pensando que o atendente devia ter me achado louca... ou sei lá o que... Nem me arrisquei a escrever o post na semana passada, não estava conseguindo organizar os pensamentos... imagina colocar no papel...sem condição... 🙈
Enfim, se você passou por um tratamento quimioterápico há pouco tempo, ou, se está finalizando o tratamento, você pode ter esses sintomas.
Infelizmente, não existe exame pra detectar o chemobrain, e o diagnóstico é apenas clínico, então, é importante prestar atenção em como anda o seu cognitivo.
No Episódio 21 do Oncotô Podcast, a Faby também relata como esses sintomas estão presentes no dia a dia dela, e ainda traz muitas informações a respeito do chemobrain. Vale a pena conferir! É só clicar no link 👉 https://youtu.be/7HYq5aOMIyU?si=x4FlRRtNGii_ILOl
Se você está tendo esses sintomas, fique atenta ao quanto essas alterações estão impactando o seu cotidiano e lembre-se de registrar o que acontece e que te incomoda (anote em um caderno ou no celular) e leve para sua consulta, pra relatar ao seu médico.
Além disso, tente inserir no seu dia a dia, comportamentos que ajudam a aliviar os sintomas do chemobrain, como: atividade física, leitura, jogos, atividades que exercitem o cérebro.
E lembre-se, esses sintomas são passageiros.
Você não está só nessa jornada!
Cuide-se! E até a próxima!
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